Arquivos da categoria: Uah Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! – 1987

Cantar

Eu já falei sobre disco voador
E da metamorfose que eu sou
Eu já falei só por falar
Agora eu vou cantar por cantar

Já fui garimpeiro
Encontrei ouro de tolo
Eu já comi mentade do bolo
Eu já avisei, só por avisar
Agora eu vou cantar por cantar

Cantar tudo o que vier na cabeça
Eu vou cantar até que o dia amanheça
Eu vou cantar…

Cantar tudo o que vier na cabeça
Eu vou cantar até que o dia amanheça
Eu vou tocar… tocar… tocar…

Cantar tudo o que vier na cabeça
Eu vou cantar até que o dia amanheça
Eu vou cantar…

Já fui mosca na sopa
Zumbizando em sua mesa
Também já fui maluco beleza
Eu já reclamei, só por reclamar
Agora eu vou cantar por cantar

Cantar tudo o que vier na cabeça
Eu vou cantar até que o dia amanheça 3x
Eu vou cantar…
Eu vou cantar!!!

Composição: Raul Seixas e Claudio Roberto

Gente

Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber

É que gente
Gente nasceu pra querer
Gente tá sempre querendo
Chegar lá no alto
Pra no fim descobrir
Já cansado que tudo é tão chato
Mas o engano é bem fácil de se entender

É que gente
Gente nasceu pra querer
Em casa, na rua, na praia, na escola ou no bar… ah!
Gente fingindo, escondendo seu medo de amar…oh!
Gente é tão louca

E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão

E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer, ok, gente, gente
Em casa, na rua, na praia, na escola ou no bar… ah!
Gente fingindo, escondendo seu medo de amar…oh!
Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer
É que gente
Gente nasceu pra querer…

Composição: Raul Seixas e Claudio Roberto

Canceriano Sem Lar (Clínica Tobias Blues)

Estou sentado em minha cama
Tomando meu café prá fumar
Estou sentado em minha cama
Tomando meu café prá fumar
Trancado dentro de mim mesmo
Eu sou um canceriano sem lar

Estou sentado em minha cama
Tomando meu café prá fumar
Estou sentado em minha cama
Tomando meu café prá fumar
É, é, porém, mas, todavia
Eu sou um canceriano sem lar

Eu tomo café pra mim não chorar
Pergunto à nuvem preta quando o sol vai brilhar

Estou deitado em minha vida
E o soro que me induz a lutar
Estou na Clínica Tobias
Tão longe do aconchego do lar

All right, man
Play the blues

Eu tomo café pra mim não chorar
Pergunto à nuvem preta quando o sol vai brilhar
Estou sentado em minha cama
Tomando meu café prá fumar
Estou sentado em minha cama
Tomando meu café prá fumar
Tracado dentro de mim mesmo eu sou, um canceriano sem lar

All right, man
Play the blues
Clinica Tobias Blues

Composição: Raul Seixas

Loba

Se você quiser brincar-car
De papai e mamãe comigo-go
Estou a seu dispor-por
Sem conseqüência de perigo-go

Bem vestida em seu nylon-lon
Me enredo em sua trança-ça
Como Rapunzel pressinto-to
Você já não é mais uma criança-ça

Oh oh índole de loba libidinosa

Me abocanha na hora da mesa-sa
Com seu olhos de olhar perdigueiro-ro
Seus pais não sabem o que fizeram
Um diabo sexy e traiçoeiro-ro

Oo índole de loba libidinosa

Me abocanha…

Composição: Raul Seixas/ Lena Coutinho/ Cláudio Roberto

Cambalache

Que o mundo foi e será uma porcaria eu já sei
Em 506 e em 2000 também
Que sempre houve ladrões, maquiavélicos e safados
Contentes e frustrados, valores, confusão
Mas que o século xx é uma praga de maldade e lixo
Já não há quem negue
Vivemos atolados na lameira
E no mesmo lodo todos manuseados
Hoje em dia dá no mesmo ser direito que traidor
Ignorante, sábio, besta, pretensioso, afanador
Tudo é igual, nada é melhor
É o mesmo um burro que um bom professor
Sem diferir, é sim senhor
Tanto no norte ou como no sul
Se um vive na impostura e outro afana em sua
Ambição
Dá no mesmo que seja padre, carvoeiro, rei de paus
Cara dura ou senador
Que falta de respeito, que afronta pra razão
Qualquer um é senhor, qualquer um é ladrão
Misturam-se beethoven, ringo star e napoleão
Pio ix e d. joão, john lennon e san martin
Como igual na frente da vitrine
Esses bagunceiros se misturam à vida
Feridos por um sabre já sem ponta
Por chorar a bíblia junto ao aquecedor

Século xx “cambalache”, problemático e febril
O que não chora não mama
Quem não rouba é um imbecil
Já não dá mais, força que dá
Que lá no inferno nos vamos encontrar
Não penses mais, senta-te ao lado
Que a ninguém mais importa se nasceste honrado

Se é o mesmo que trabalha noite e dia como um boi
Se é o que vive na fartura, se é o que mata, se é o
Que cura
Ou mesmo fora-da-lei

Composição: Enrique Santos Discépolo

I Am (Gita)

Since the beginning of time
Man has search for the great answer
It was given
Today I give it once more

Sometimes you ask me a question
You ask why I talk so little
I hardly ever speak of love
Don’t side you and smiling so bittle

You think of me all the time
You eat me, spew me and leave me
Come forth, see through your ears
Cause today I’ll challenge your sight

I am the star of the starlights
I am the child of the moon
Yes, I am your harred of love
I am too late and too soon

Yes, I am the fear of failure
I am the power of will
I am the bluff of the gambler
I am. I move, I’m still

Yes, I am your sacrifice
The placard that spells “forbidden”
Blood in the eyes of the vampire
I am the curse unbidden

Yes, I am the black and the indian
I am the WASP and the jew
I am the Bible and the I-Ching
The red, the white and the blue

Why do you ask me a question
Asking is not going to show
That I am all things in existence
I am, I was, I go

You have me with you forever
Not knowing if it’s bad or good
But know that I am in yourself
Why don’t you just meet me in the woods

For I am the eaves of the roof
I am the fish and the fisher
“A” is the first of my name
Yes, I am the hope of the wisher

Yes, I am the housewife and the whore
Hunting the markets asleep
I am the devil at your door
I’m shallow, wide and deep

I am the law of Thelema
I am the fang of the shark
Yes, I am the eyes of the blindman
Yes, I am the light in the dark

Yes, I am bitter in your tongue
Mother, father and the riddle
Yes, I am the son yet to come
Yes, I’m the beginning, the end and the middle

Composição: Raul Seixas

Paranóia II

Eu vivo procurando em tudo quanto é lugar
Nos bares nas igrejas eu tentei encontrar
Nos becos, nas esquinas, na lama e no pó
Até do bolso do meu paletó
Eu sei que essa coisa que eu tenho que achar
Talvez tão perto que a mão não possa tocar
Quem sabe uma gilete, talvez no coração
Olhei até debaixo do meu colchão

Oh!baby, baby,eu preciso parar
Essa paranóia tenho que eliminar
Mas o que eu procuro você escondeu na barriga
Não quer me entregar
Que diabo você quer mais de mim?

Que triste sorte a minha, fui me apaixonar
Por alguém que tinha um brilho estranho no olhar
Caí na sua teia, serei a tua ceia
O pacto com satã ainda quer me tentar
Mona, monalisa, cê tá rindo de mim
Garga-gargalhando seu canino de marfim
Eu faço qualquer coisa
Te dou tudo que tenho, oh! bruxa
Por um pedacinho da paz que um dia eu perdi

Oh! baby, baby, baby eu preciso parar
Essa paranóia tenho que eliminar
Mas o que eu procuro você escondeu
Na barriga
Não quer me entregar
Que diabo você quer mais de mim?
Oh! baby, baby, baby eu preciso parar
Essa paranóia tenho que eliminar
Mona, monalisa, cê tá rindo de mim
Garga-gargalhando seu canino de marfim

Oh! baby, baby, baby eu preciso parar
Essa paranóia tenho que eliminar
Mona, monalisa, cê tá rindo de mim…

Composição: Raul Seixas