Arquivos da categoria: 1979 – Mata Virgem

As Profecias

Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar
Sentindo o futuro no ar
O ar, carregado sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma
Por que nessa tarde tão calma
O tempo parece parado?

Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro,
Dos loucos que escrevem no muro.
Das teias do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto.
A chama da guerra acesa,
A fome sentada na mesa.
O copo com álcool no bar,
O anjo surgindo no mar.
Os selos de fogo, o eclipse,
Os símbolos do apocalipse.
Os séculos de Nostradamus,
A fuga geral dos ciganos.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.

Um gosto azedo na boca,
A moça que sonha, a louca.
O homem que quer mas se esquece,
O mundo dá ou do desce.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.
Sem fogo, sem sangue, sem ás
O mundo dos nossos ancestrais.
Acaba sem guerra mortais
Sem glorias de Mártir ferido
Sem um estrondo, mas com um gemido.

Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolo do apocalipse
A fuga geral do ciganos
Os séculos de Nostradamus.

Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia (3x)
Um dia…

Sim, sim, sim…

Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho

Judas

Parte de um plano secreto
Amigo fiel de Jesus
Eu fui escolhido por ele
Para pregá-lo na cruz
Cristo morreu como um homem
Um mártir da salvação
Deixando para mim seu amigo
O sinal da traição.

Mas é que lá em cima
Lá na beira da piscina,
Olhando simples mortais
Das alturas fazem escrituras
E não me perguntam se é pouco ou demais

Mas é que lá em cima
Lá na beira da piscina,
Olhando simples mortais
Das alturas fazem escrituras
E não me perguntam se é pouco ou demais

Se eu não tivesse traído
Morreria cercado de luz
E o mundo hoje então não teria
A marca sagrada da cruz
E para provar que me amava
Pediu outro gesto de amor
Pediu que o traísse com um beijo
Que minha boca então marcou.

Mas é que lá em cima
Lá na beira da piscina,
Olhando simples mortais
Das alturas fazem escrituras
E não me perguntam se é pouco ou demais

Mas é que lá em cima
Lá na beira da piscina,
Olhando simples mortais
Das alturas fazem escrituras
E não me perguntam se é pouco ou demais

Composição: Raul Seixas e Paulo Coelho