Arquivos da categoria: Abre-te Sésamo – 1980

À Beira do Pantanal

Foi lá na beira do Pantanal
Seu corpo tão belo enterrei
Foi lá que eu matei minha amada
Sua voz na lembrança eu guardei:
“Por que, meu querido
Por que, meu amor
Cravaste em mim teu punhal?
Meu peito tão jovem sangrando assim
Por que esse golpe mortal?”

Assassinei quem amava
Num gesto sagrado de amor
O sangue que dela jorrava
A sede da terra acalmou
E lá onde jaz o seu corpo
Cresceu junto com o capim
Seus lindos cabelos negros que eu
Regava como um jardim

A lei dos homens me condenou:
Perpétua será tua prisão
Porque foi eu mesmo quem calou
Com aço aquele coração

E eu preso aqui nessa cela
Deixando minha vida passar
Ainda escuto a voz dela
No vento que vem perguntar:
“Por que, meu querido
Por que, meu amor
Cravaste em mim teu punhal?
Meu peito tão jovem sangrando assim
Por que esse golpe mortal?
Cravaste em mim teu punhal
Por que esse golpe mortal??

Composição: Claudio Roberto / Raul Seixas

Ê Meu Pai

Ê, meu pai
Olha teu filho meu pai

Ê, meu pai, olha teu filho meu pai refrão
Ê, meu pai, ajuda o filho meu pai

Quando eu cair no chão segura a minha mão
Me ajuda a levantar para lutar

Refrão

Se o medo da loucura nessa estrada escura
Me afastar da luz que me conduz

Refrão

Se eu me sentir sozinho ou sair do caminho
E a dor vier de noite me assustar

Refrão

Composição: Claudio Roberto / Raul Seixas

Baby

Baby, hoje ‘cê’ faz treze anos,
Vejo em seus olhos seus planos,
Eu sei que você quer deitar,
Não dá ouvido à razão, não
Quem manda é seu coração, oh oh oh baby,

Oh Baby,
Abraça seus livros no peito,
Esconde o que é tão perfeito,
Eu sei que você quer deitar,
Não dá ouvido à razão, não
Quem manda é seu coração, oh oh oh baby,

A madre da escola te ensina,
A reconhecer o pecado,
E o que você sente é ruim,
Mas, baby, baby,
Deus não é tão mal assim,
Não, não, não, não…

Baby, no quarto crescente da lua,
Descobre a vontade que é sua
Eu sei que você quer deitar,
Não dá ouvido à razão, não
Quem manda é seu coração.

A mancha do batom vermelho,
Por que esconder no lençol,
Se dentro da imagem do espelho…
Baby, baby,
O inferno é o fogo do sol
Não, não, não, não…

Baby, hoje ‘cê’ faz treze anos
Vejo em seus olhos seus planos,
Eu sei que você quer deitar,
Não dá ouvido à razão, não
Quem manda é o seu coração, oh oh oh baby.
Não, não
Quem manda é o seu coração…

Composição: Claudio Roberto / Raul Seixas

Só Pra Variar

Tem que acontecer alguma coisa, neném
Parado é que eu não posso ficar
Quero tocar fogo onde bombeiro não vem
Vou rasgar dinheiro, tacar fogo nele
Só pra variar

Antes d’eu me confessar pro padre, neném
Vou comer três quilos de cebola
Ver de perto o papa, ai, que luxo, meu bem
Vou rasgar dinheiro, tacar fogo nele
Só pra variar

Pena não ser burro
Não sofria tanto
Essa noite eu vou dormir
Botar as manguinhas de fora
Dizer que eu estou chegando
Botando pra quebrar

Vou jogar no lixo a dentadura, neném
Vou ficar banguelo numa boa
É que eu vou fundar mais um partido também
Vou rasgar dinheiro, tocar fogo nele
Só pra variar

Diz que o paraíso já tá cheio, neném
Vou levar um lero com o diabo
Antes que o inferno fique cheio também
Vou rasgar dinheiro, tocar fogo nele
Só pra variar

Vou rasgar dinheiro, tacar fogo nele
Só pra variar

Composição: Kika Seixas / Claudio Roberto / Raul Seixas

O Conto do Sábio Chinês

Era uma vez
Um sábio chinês
Que um dia sonhou
Que era uma borboleta
Voando nos campos
Pousando nas flores
Vivendo assim
Um lindo sonho…

Até que um dia acordou
E pro resto da vida
Uma dúvida
Lhe acompanhou…

Se ele era
Um sábio chinês
Que sonhou
Que era uma borboleta
Ou se era uma borboleta
Sonhando que era
Um sábio chinês…(2x)

Composição: Raul Seixas

Rock Das Aranhas

Subi no muro do quintal
E vi uma transa
Que não é normal
E ninguém vai acreditar
Eu vi duas mulher
Botando aranha prá brigar…

Duas aranha, duas aranha
Duas aranha, duas aranha
Vem cá mulher deixa de manha
Minha cobra
Quer comer sua aranha…

Meu corpo todo se tremeu
E nem minha cobra entendeu
Cumé que pode
Duas aranha se esfregando
Eu tô sabendo
Alguma coisa tá faltando…

É minha cobra, cobra criada
É minha cobra, cobra criada
Vem cá mulher deixa de manha
Minha cobra
Quer comer sua aranha…

Deve ter uma boa explicação
O que é que essas aranha
Tão fazendo ali no chão
Uma em cima, outra embaixo
A cobra perguntando
Onde é que eu me encaixo?

É minha cobra, cobra criada
É minha cobra, cobra criada
Vem cá mulher deixa de manha
Minha cobra
Quer comer sua aranha…

Soltei a cobra
E ela foi direto
Foi pro meio das aranha
Prá mostrar como é
Que é certo
Cobra com aranha
É que dá pé
Aranha com aranha
Sempre deu jacaré…

É minha cobra
Cobra com aranha
É minha cobra
Com as aranha
Vem cá mulher deixa de manha
Minha cobra
Quer comer sua aranha…

É o rock das aranha
É o rock das aranha
É o rock das aranha
É o rock das aranha
Vem cá mulher deixa de manha
Minha cobra
Quer comer sua aranha!

Composição: Raul Seixas

Minha Viola

Eu tenho uma viola,
que canta assim
Minha dor ela consola…
Quando eu saí do meu sertão.
Não tinha nada de meu.
A não ser esta viola
Que foi meu pai quem me deu.
E pelo mundo eu vou andando.
Subo monte, desço serra.
Minha viola vou tocando,
relembrando a minha terra.
E quando a tarde vai morrendo,
vou pegando minha viola.
Se estou triste e sofrendo,
ela é quem me consola.
Cada nota é um gemido.
Cada gemido é uma saudade.
De saudade estou perdido,
viola, nessa eterna “solidade”.
De saudade estou perdido,
viola, nessa eterna “solidade”.
E nesse sertão dos meus amores,
quando me ponho a tocar.
Emudecem seus cantores
para nos ouvir cantar.
Canta a minha alegria,
canta para eu não chorar.
Entrarei no céu contigo,
quando minha hora chegar.

Composição: Raul Varella Seixas