Arquivos da categoria: 1967 – Raulzito e os Panteras

O Dorminhoco

O meu sono é tão lindo
Eu quero continuar dormindo
Sempre de manhã cedinho
Vem você meu bem
Me acordar
E eu lhe peço com carinho
Por favor benzinho
Quero descansar
Eu para viver sorrindo
Tenho que continuar dormindo
Passo o dia dando duro
E não vejo a hora
De me deitar
E quando volto está escuro
E você me pede pra passear
Só queria ver você caladinha
Ao me ver dormindo

O Trem Das 7

Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon

Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem

Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão

Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar

Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral

Amém.

Me Deixa Em Paz

Oh, me deixa em paz
Não quero mais saber
De amar
Nem quero mais
Lembrar do que passei
Da outra vez
Meu bem
Sofri

Por que você mentiu assim
Agora veja só
Você sorriu pra mim
Eu vi no seu olhar

Oh, me deixa em paz
Não quero mais saber
De amar
Pois já estou cansado
De você me enganar
Meu bem

Até prefiro ficar só
Do que pensar mais uma vez
Lembrar o que me fez
Não quero mais amar

Triste Mundo

Só, sem ter ninguém
Vivo a sofrer
Me lamentando, também procurando
Toda verdade esquecer

Feliz é aquele que o mundo não viu
E a maldade sentiu

Olho para o mundo
Fico a imaginar
Toda incerteza que a vida nos dá
Quando se tem que amar

Feliz é aquele que o mundo não viu
A a maldade sentiu

Mas quando se quer
Sempre se encontra um alguém
Que nos faz feliz
Procurando ser feliz também

Feliz é aquele que o mundo não viu
E a maldade sentiu